Quinta-feira , 09 de Junho DE 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "NO CHÃO D'ÁGUA - Poesia Líquida..."

 

 

 

Está em marcha e vai acontecer...

 

NO DIA 2 DE JULHO DE 2011, PELAS 16H00, NO ANFITEATRO DO CAMPO GRANDE 56, EM LISBOA!

 

Será o lançamento do meu livro de poesia "No Chão d'Água - Poesia Líquida..."!

O meu primeiro livro!

 

Desde já, a todos, deixo o convite para estarem presentes! Serão bem vindos!

 

O convite oficial irá sair em breve e logo será publicado!

 

Estou a ficar em pulgas...

 

PC

publicado por Paulo César às 01:40
Sexta-feira , 16 de Abril DE 2010

terra, mãe, matriz

 

já não sei os carreiros

os silvados

as hortas

 

perdi os ninhos dos pássaros

os bandos voláteis

os trinados

 

esqueci a canícula

o frio gélido

a chuva agreste

 

olvidei os cantares genuinos

o labor dos braços

a crueza da faina

 

só não deixei de te amar

terra

mãe

matriz

 

e apetece-me tanto

sentir o cheiro a feno

que sobra

quando as trovoadas

de agosto ribombam

ferindo o espaço

e os feixes felinos

dos relâmpagos faiscantes

desenham no céu pardo

aguarelas abstractas

que amedrontam

e espantam

 


Em Abr.2010, pelas 22h15

 

Imagem: Google

sinto-me: feliz e grato
publicado por Paulo César às 22:14
Segunda-feira , 02 de Novembro DE 2009

Memórias da urze e muito mais

 

Lembrei-me da urze

porque me lembrei da serra

dos montes e vales

do ar puro e das pedras rudes

dos coelhos bravos e das borboletas

dos carreiros estreitos e do mato denso

de pequenas fontes de fios cristalinos

e de poças eternas guardiãs da chuva

que dessedentava as gargantas secas

no pico do verão.

 

Lembrei-me da urze

porque me acudiu a memória

dos pinheirais zoando

à passagem do vento norte

da caruma seca e das pinhas

esventradas

do odor intenso a resina

e dos cogumelos alapados

irrompendo do humus

da terra areenta.

 

Lembrei-me da urze

porque me invadiu o ribeiro

as rãs coachando

as lagartixas fura vidas

as cobras e os lagartos langorosos

as formigas rabinas

na lufa-lufa duma azáfama

sem horário nem escala

as libélulas elegantes

numa dança imortal de tão leve.

 

Lembrei-me da urze

e por ela acabei por me alcandorar

aos cumes do tempo descalço

dos risos desdentados

dos calções passajados e puidos

das mãos e dos corpos tisnados

dos sons naturais da terra e da gente

dos dias prenhes de esforço

e das noites silenciosas de descanso

autêntico.

 

Lembrei-me da urze...

e de tudo o que puxado o fio

se desata sem nós cegos

num mundo de doce e amargo

de luz e sombras

de risos e lágrimas

de ficar quedo e nunca parar

de amar

com despudor e orgulho

o que se ama apenas porque sim.

 

 

Em 02.Nov.2009, pelas 19h30

 

Imagem: Google

sinto-me: chanceler
publicado por Paulo César às 20:00
Terça-feira , 20 de Outubro DE 2009

Claro sol e tanta aurora...

 

Escondo-me nas palavras como se amassase pão,

como se colhesse flores,

como se plantasse espantalhos

na cercadura da seara,

como se esperasse um dia novo

amanhã!

 

Doiem-me os teus olhos que não tenho,

as tuas mãos que foram embora,

o teu sorriso como construção do sonho,

o teu afago, ternurento, como arco-íris

dos sentimentos indefinidos!

 

À míngua de ti

invento até a dor,

a saudade,

a angústia,

cedendo à pressa de te ter de novo

para regenerar as horas

e semear os dias

de cores simplesmente

vivas.

 

O mar das remotas imagens

balança numa maré alta

por dentro de mim.

E a praia tem estranhas nuances

quando a tua ausência

se faz presente.

 

Esqueço-me do que me rodeia!

Vivo a dor como se fora verdadeira

e aplaco-a somente quando

na hora do sono

adormeço ao som da tua voz

que me fala suave e macia

na textura da almofada.

 

Adormeço feliz

e espanto a dor

como se fora miragem,

para viver apenas aquele momento

nosso

- que tu estás mesmo não estando!

 

E assim liberto enxergo longe

o que está por dentro de mim:

- Um claro sol e tanta aurora...

 

 

by Paulo César, em 20.Out.2009, pelas 20h00

 

 

sinto-me:
publicado por Paulo César às 20:12
Sexta-feira , 02 de Outubro DE 2009

Poema para a Terra calada

 

Estendo os braços

e o mar à minha frente

tem cambiantes de loiro

e verde e castanho,

ondeando na planície

de malmequeres e papoilas,

onde as borboletas voejam

tontas

e o passaredo volteia

desenhando, no céu largo,

caminhos sem retorno.

 

Sobem odores do fundo

da terra

e descem à terra madre

sementes de futuro,

impregnados de vida,

que o sol chamará à luz,

depois que a noite adormecer

nos braços do orvalho

matinal.

 

Tanta vida silenciosa

assombra o meu olhar absorto!

Sorvo dum trago o horizonte

e de braços caídos

enlaço a vastidão de lés a lés,

embrenhando-me até aos ossos

na imensidão!

 

Um grilo canta,

uma rã coacha,

um pardal trina,

um galo cacareja,

uma ovelha bale,

um burro zurra,

um gato mia,

um cão ladra

e a terra pacata,

vivaz no seu sossego

manso,
escuta a algazarra

e redonda,

absoluta,
magestosa,

gera no seu seio de mulher

possuida

a vida que nos alimentará

até à comoção,

como se o poema

fosse o ponto de partida

para a aventura

da gratidão!

 

E se palavras forem precisas para dizer

obrigado

inventemos outra forma de o afirmar

para que cada sílaba seja

um hino, uma ode, um labéu

que cante a eterna canção dos filhos

da senhora sua mãe:


A Terra calada!

 


by Paulo César, em 22.Set.2009, pelas 22h30

 

sinto-me: inquieto
publicado por Paulo César às 18:35
Sexta-feira , 14 de Agosto DE 2009

Achada

 
Taco a taco com a Natália, no seu soneto "Perdida"!
 
Descubro-te! E ao ver o teu sorrir
sinto que o azul, sem eufemismo,
te rodeia e te quer cingir
revelando gentil teu fatalismo!


Sabes e sentes – eu adivinho!
Que continuar é tomar norte,
é seguir ainda e sempre por um caminho
que te levará muito além da morte!


E se na rural vereda que se enfeita

com cantigas d'antanho, ainda que negues,

só há sonhos, e luz, e risos, estreita


entre os braços o que te desgosta
e altiva toma o sonho a quem deves

o tudo que és... Vá, não recuses; aposta!

 

by Paulo César, em 14.AGO.09, pelas 20h00

sinto-me: desafiado
publicado por Paulo César às 20:13
Sábado , 01 de Agosto DE 2009

Sopas de café com leite

 

Ainda no teu orvalho a refrescar me sinto...

Volto a ser teu filho, terra, repouso no teu regaço,

E ébrio de afagos, por entre os raios de sol, que finto,

Entrego-te o meu sorriso limpo, o meu abraço.

 

(excerto, adaptado, do poema “Lembranças” de Natália Canais Nuno)

 

 

Quisera eu ser ainda

pequeno, pequeno e sem tamanho,

para perder-me nos carreiros feitos das passadas

constantes, das idas e regressos,

e subir escarpas no frenesim das corridas,

no toque e foge do jogo,

na livre apanhada da brincadeira,

e saborear o teu afago de mãe e amiga,

quando o vento suão espirrava o calor

do fogo que trazia no seu alforge,

ou a nortada soprava o frio agreste,

que entrava corpo adentro,

pelo funil dos calções rotos,

dos pés descalços, da pele crestada,

sem pedir licença.

 

Retorno amiude

ao trono imperial dos sentidos

e vivo revivendo as horas sem tempo,

os dias sem tamanho,

os meses sem datas ou marcas,

e fico mais perto da escola e dos amigos,

do mestre e dos ensinamentos,

da vida e das verdades pueris,

que passaram por cada um e todos

com a pressa das coisas autênticas

na voragem do tempo irracional,

porque descomplicado e feliz,

sem nada mais do que uma bola de trapos,

uma côdea de pão medonhamente saboroso

e uma regaço cheio de sorrisos e chalreios.

 

Olho em redor e fixo as caras fechadas,

os sorrisos presos ou cozidos com ilhós

de desespero, angustia e muita revolta,

os braços caídos, as pernas pesadas,

os olhares baços ou enevoados de melancolia,

seres que o são, mas não parecem ser,

que não têm saudades, porque não têm aldeia,

que não têm memória, porque desconheceram a gargalhada

solta, a corrida sem freio, a dureza do chão pedregoso,

porque nunca esfacelaram os joelhos nas quedas abruptas.

Estranhamente (ou não) olho fixamente o longe

da paisagem sem contornos definidos e pressinto

o dia que nasce, adivinho o arrebol do sol que brota

dos confins do oriente, como avatar de alquimista,

e apetece-me uma tijela de sopas de café com leite...

 

E o cheiro é tão intenso e o sabor tão forte

que adormeço, na memória das coisas simples,

para acordar desluzido e anódino

perante uma folha de papel branco

que espera a vertigem das palavras,

que teimam povoar a insensatez

dos momentos translúcidos

em viagens de fantasia,

desde a terra da fartura ao nicho do sonho,

por caminhos transviados e solitários,

que não são os carreiros de outrora,

mas as autoestradas da globalização,

com amigos que se chamam através de fios e sinais

e a quem deixamos abraços que não aconchegam,

mas que querem ser como os que eram abraços.

 

Ah, mas se alguém por aí,

neste universo de palavras vivas,

neste recanto global de amigos sem fronteiras,

me pudesse presentear com o sabor

duma tijela de sopas de café com leite...

Certamente iria perceber

como é contagiosa a loucura dos poetas!

 

by Paulo César, em 01.Ago.2009, pelas 09h15

Obrigado Natália, pela ajuda...

 

sinto-me: desmesuradamente feliz
publicado por Paulo César às 10:02
Sexta-feira , 24 de Julho DE 2009

Gratidão

 

Se te negasse, negava-me,

extraia de mim o que sou por ti

o que ganhei por ser teu,

o que moldou em mim o todo

e define a parte,

o que conglomera e concretiza

a nudez rural

do homem que persisto ser,

porque nasci sob o céu

dos teus dias claros,

à sombra da serra que te protege,

e cresci na frescura das hortas

e dos pomares odorosos,

no silêncio das noites calmas,

ao luar da lua branca,

ouvindo o galo e o rouxinol,

o pintassilgo e o melro,

o arrulhar da rola mansa,

o sino desbragado

e as vozes estridentes

das gentes de coração lavado.


Se te negasse

tornarme-ia um fantasma,

nu, sem destino

e esquecerme-ia do sabor

da sopa, do pão, da segurelha

e jamais poderia reclamar

o olhar sereno dos meus avós

que me embalam na saudade

da perda que não é,

porque os tenho no cadinho do amor,

como te tenho TERRA,

que és chão e serás futuro,

que o passado e a memória

tornam mais presente

a cada novo e inesperado dia.


Se te negasse

implodiria o ser

e deixaria de poder bradar,

veemente,

o orgulho que me embarga o olhar

quando subo pelos fios da distância

e me aproximo ensimesmado

para gritar por dentro

o grito dos ausentes

que querem dizer e nunca dizem

o quanto é bela a aldeia que os pariu

meninos sem tamanho e sem idade!


E o grito que não sai,

reverbera no coração e na alma

e provoca um sobressalto, um torvelinho,

como se um vulcão quisesse explodir

e a lava solidificasse no canal de saída.

E eis que, depois de tanto tentar, o grito ressoa

para dizer em letras garrafais:

 

Obrigado Chancelaria!

 

by Paulo César, em 21.Jul.2009, pelas 12h00

 

sinto-me: grato
publicado por Paulo César às 19:01
Quarta-feira , 08 de Julho DE 2009

Tempos idos... Dialectos perdidos!

 

A par, mansos,
Pachorrentos e de olhos fundos,
Com a canga no cachaço
E os arreios sobre o dorso,
Seguia a junta de bois
Num andar pausado
Na longitudinal do espaço
Ao longo do rio de regos
Que o charrueque rasgava…
 
Na frente seguia um miúdo
Segurando a rédea do cabeçal,
Pés descalços,
Cabelo em desalinho
Olhar no infinito
E um assobio moço
Nos lábios de puto
A trinar, como pardal,
Ao ar fresco dos campos
Em poisio…
 
O arado chiava
No seu rodízio de metal
E segurando o punho da alfaia,
À ré, curvado
Na sua grandeza de ganhão
Vara de aguilhão
Em punho, veemente, em riste,
Fendendo o ar, dominador,
Ia o lavrador
Incentivando a parelha
E corrigindo a rota,
Com palavras sonoras,
Como um chiste:
- Eia, vá lá Bonito…
 
As levas içadas,
Esventradas e cruas,
Esboroavam-se vagarosas
Sob o sol impiedoso
E as minhocas minavam a terra,
Em busca do frescor,
A esconder-se das garças boieiras
Que afoitas e ligeiras
Cirandavam em torno
A buscar seu quinhão
No repasto da lavra…
 
A água corria duma infusa
De barro
Fresca como se corresse da bica
E as gargantas sedentas
Cantavam melhor
Quando o aguadeiro passava
Trazendo nos lábios
Uma cantiga sem história,
Feita de fiapos de memória:
- Oliveirinha da serra…
O vento leva a flor…
 
De sol a sol
As horas eram mais longas
E os dias tinham o tamanho
Da jorna
Com mata-bicho
Pela manhã mal começada,
O almoço ao meio-dia,
E a merenda no pico
Das tardes soalheiras
Quando as sombras
Sabiam a sonho
E o sol se empinava
Ainda à altura do infinito.
 
E quando a lua vinha espreitar
Havia ranchos pelos caminhos,
Cantando ao desafio,
A consumir o tempo
No regresso a casas térreas
Com lareiras de chão
E trempes de ferro
Onde a sopa recendia
E a mesa tinha a forma circular
Da vida
Com candeeiros de petróleo
Ou lanternas de luz mansa.
 
E quando a noite se afoitava
Definitiva
Sobrava o cansaço
E o sono assentava arraiais
Até que o galo imperial
Estrepitasse o silêncio da madrugada
E cantando cinco vezes
Anunciasse a faina de um novo
E imenso dia!
 
E era vê-los, aos magotes,
Homens e mulheres,
Rapazes e moças,
Cesto da bucha à ilharga
E alfaias às costas
A caminho das quintas
Cruzando lugarejos,
Lançando dichotes
E rindo um riso são
Limpo e cristalino
Com a desenvoltura
De iluminados
E a alegria de gente boa.
 
E os dias rodavam sempre
Entre o campo e o campo,
Entre a seara e a eira,
Entre a horta e o pomar,
Sob o sol inclemente
E a chuva e o frio impiedoso.
Sabendo de cor os tempos
Da monda, da ceifa, da sementeira…
As fases da lua,
As estações do ano
E o ciclo integral da terra madre…
 
E no adro da igreja,
Aos domingos,
Havia chilreios de crianças
E a algazarra das comadres,
E dos amigos e compadres,
Com olhares largos de gratidão
E dialectos campesinos
Com trejeitos e sotaques
Únicos, cativantes, meninos,
Em palavras corridas ou cantadas
E a simplicidade de gestos com raízes:
- Padrinho, a sua bênção…
- Bem-haja vossemecê, senhor…
E despedidas de beijos com sabor
A sentimentos felizes
E altruísmos de sã esperança.
 
Do que resta nem a memória
Guarda razão
No deve e haver
Dum tempo definitivamente
Perdido!
by Paulo César, em 08.Junlo.2009, pelas 20h00
sinto-me: feliz e grato à terra
publicado por Paulo César às 20:56
Sábado , 20 de Junho DE 2009

A caminho...

 

Esta é uma dedicatória a ti, Natália!

 

Que lágrimas poderão toldar
A alegria de sentir gratidão?
Que tristeza poderá mirrar
A felicidade expressa num sorriso?
Que solidão virá para calar
A força comovente dum abraço?
Que dor ou agrura sobrará
Na hora de entregar no teu rosto
Um beijo límpido que gritará
Como a luz da estrela à hora do sol-posto?
 
Levantaremos pendões de festa…
Poremos balões e grinaldas nos caminhos…
Atapetaremos de flores silvestres as veredas,
Os carreiros, os trilhos, a eira…
E derramaremos música de acordeão
Num baile iluminado pela lua cheia
Onde farão coro os grilos noctívagos
E, de quando em vez, um galo madrugador!
 
Faremos, com novelos de saudade
E fios de memórias vivas, um rendilhado
De sons e imagens, de pessoas e lugares,
De tempos de há muito tempo…
Talvez nos julguem velhos…
Talvez nos apelidem de provincianos…
Talvez se riam da nossa insana vontade
De querer retornar ao útero da mãe terra
E retomar nas mãos a lama dos Invernos,
A poeira dos Estios cáusticos,
A doce aragem das Primaveras verdejantes,
Ou o odor intenso dos Outonos frutados.
Talvez nos ignorem!
 
Sobrará a teimosia de quem acredita
E a paixão de quem ama sem preconceitos!
E a terra que nos viu nascer
E nos fez, no desconchavo dos aziagos dias,
Gente de bem-querer
Nos dará, sem nunca reclamar, as alegrias
Do regresso, como uma bênção…
 
E nesse dia a chuva será de pétalas
E os campos, de lés a lés,
Hão-de ter a cor rubra das papoilas
Ou a festiva brancura dos malmequeres.
Chorarei então
E derramarei em caudal a gratidão
Dos que voltam para sempre. De vez!
 
Riam-se à vontade!
Quem aldeão nasceu
Há-de morrer aldeão
Mesmo que a força da cidade
O adopte como seu!
 
 
by Paulo César, em 20:Jun.2009, pelas 19h30
sinto-me: grato e feliz
publicado por Paulo César às 19:59

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