Domingo , 22 de Abril DE 2007

Doravante serei um homem simples



Doravante serei um homem simples!

Um homem do campo

Que só conhece o cheiro acre da terra

Após uma trovoada de Maio,

Um homem que ama

Os animais que alimenta

Antes do nascer do sol

E a quem pastoreia ao longo do dia

Na calma silenciosa do tempo

Lento e inexorável,

Um homem que lavra e semeia,

Monda e colhe,

Carregando aos ombros

O peso dos dias invernosos

Ou a beleza pueril dos primaveris,

E os traços rugosos que o suor

Cava no rosto crestado

Pelo sol impiedoso.



 

Começa aqui a caminhada.

Regresso às origens!

Nunca é tarde demais

Para quem nasceu

No lastro da terra

Amassando a vida

Com as próprias mãos!

 

 

by Paulo César, em 16.Out.2005, pelas 17h45 (Twin Towers)

sinto-me: nostágico
publicado por Paulo César às 16:36
Sábado , 21 de Abril DE 2007

Memória...


De repente a imagem irrompe...
Não há como sustê-la, como evitá-la!
Traz consigo vozes e sons,
cheiros e cores,
pessoas sem tamanho ou medida,
grandes demais para se falar delas
em discursos de ocasião,
palavras, palavras e mais palavras,
momentos quase reais hoje,
porque o foram então,
cantigas desbragadas, simples, únicas...
Trazem vida! Obrigam a reviver!

De repente...
Como o chispar de um relâmpago!
Acendem um mar de estórias,
revolvem o trilho de anos,
sacudindo cada hora,
cada pequeno acontecer,
teimam ressurgir inteiras,
para tornarem mais autêntico
o tempo d'agora!



Do céu caiem cintilantes estrelas!
Pétalas de flores raras,
como o malmequer ou a papoila,
odores intensos como o azevém
ou a flor de laranjeira,
sons guturais como o chiadoiro
da carroça no pedregoso chão do caminho!

Vozes soam num coro sinfónico!
Falam, quase cantando, num modo inimitável
e trinando como os melros nos canaviais,
a rola na copa da oliveira,
ou o pintassilgo na horta fresca,
debicando uma folha tenra de alface.
Um balde sobe e desce numa picota
e vai fundo, no poço quase charco apenas,
sugar a água que escorre a dessedentar
os viçosos canteiros de verduras!

Os dias são grandes ou curtos
consoante os equinócios!
A vida é dura e esforçada
por força das necessidades!
E a memória é imensa
como é imenso o tempo que passou!

by Paulo César, em 21.Abril.2007, pelas 23h40
sinto-me: grato
publicado por Paulo César às 23:30
Domingo , 25 de Fevereiro DE 2007

Chancelaria




 
 
 
 
Apetece-me o pássaro azul…
 
Alvor de labaredas em torvelinho,
 
Baioneta, punhal, adaga ou quê…
 
Palavras que o vento traz e o vento leva,
 
Espuma branca na orla da praia!
 

 

 
Virão mil sombras e reflexos,
 
Pequenos fragmentos de coisa nenhuma;
 
Abalarão os alicerces da penumbra das coisas.
 
Pétala, folha seca, caule enxuto,
 
Raiz profunda, seiva e orvalho…
 

 

 
Pedra solta, rolada, no ribeiro quieto.
 
Carreiro de formigas, beijos fugidios,
 
Libélulas fugazes nas tardes estivais,
 
Odores a fruta e sons de zurros,
 
Entremeados de uivos, latidos e cacarejos!
 

 

 
Quieto povoado de entrevistos lugarejos.
 
O trinar do sino – a festa ou finados! –
 
Odores intensos a terra e pinhais,
 
Arvoredo denso, como densa é a memória
 
Do pão fresco nos matutinos dias.
 

 

 
by Paulo César, em 21.Jun.2005, pelas 06h40 (T.Towers)
 

sinto-me: grato
publicado por Paulo César às 18:26

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