Sexta-feira , 27 de Setembro DE 2013

Torrão

 

publicado por Paulo César às 15:33
Segunda-feira , 06 de Dezembro DE 2010

Que nome te darei, saudade?

Urze da serra (imagem obtida na net)

 

Deste longe vejo o que antes não via,

Estando perto…

 

Há cheiros no ar que só agora

Sinto

Vozes grinalda que vingaram os silêncios

Para acordar as auroras de todos os dias

Recados penitentes a trilhar caminhos

Que libertavam do purgatório

Eremitas luzeiros como archotes crentes

Que sinalizavam os sentimentos

Separando o trigo do joio

 

Soluços de aragem que sacudiam as copas

Esguias arremetendo ao azul

Líquidos húmus escorrendo das crostas

Como sangue de regras

Sibilinos sons de amálgama ou caldo

Que se fundem em oratórias de graças

Medo e superstições, unguentos e preces,

Fé viril e força angelical

Faces vítreas onde se espelham as almas

Que trazem gente em cada despojo

 

Trago carreiros suspensos na solidão

Das memórias

E retratos de fogo talhados na urgência

Do retorno ao chão

Para sentir-me quinhão!

 

Que nome te darei, saudade?

 

 

Em 05.dez.2010

M A C

publicado por Paulo César às 16:28
Segunda-feira , 02 de Novembro DE 2009

Memórias da urze e muito mais

 

Lembrei-me da urze

porque me lembrei da serra

dos montes e vales

do ar puro e das pedras rudes

dos coelhos bravos e das borboletas

dos carreiros estreitos e do mato denso

de pequenas fontes de fios cristalinos

e de poças eternas guardiãs da chuva

que dessedentava as gargantas secas

no pico do verão.

 

Lembrei-me da urze

porque me acudiu a memória

dos pinheirais zoando

à passagem do vento norte

da caruma seca e das pinhas

esventradas

do odor intenso a resina

e dos cogumelos alapados

irrompendo do humus

da terra areenta.

 

Lembrei-me da urze

porque me invadiu o ribeiro

as rãs coachando

as lagartixas fura vidas

as cobras e os lagartos langorosos

as formigas rabinas

na lufa-lufa duma azáfama

sem horário nem escala

as libélulas elegantes

numa dança imortal de tão leve.

 

Lembrei-me da urze

e por ela acabei por me alcandorar

aos cumes do tempo descalço

dos risos desdentados

dos calções passajados e puidos

das mãos e dos corpos tisnados

dos sons naturais da terra e da gente

dos dias prenhes de esforço

e das noites silenciosas de descanso

autêntico.

 

Lembrei-me da urze...

e de tudo o que puxado o fio

se desata sem nós cegos

num mundo de doce e amargo

de luz e sombras

de risos e lágrimas

de ficar quedo e nunca parar

de amar

com despudor e orgulho

o que se ama apenas porque sim.

 

 

Em 02.Nov.2009, pelas 19h30

 

Imagem: Google

sinto-me: chanceler
publicado por Paulo César às 20:00

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