Sexta-feira , 27 de Setembro DE 2013

Torrão

 

publicado por Paulo César às 15:33

Torres Novas

 

publicado por Paulo César às 15:30
Quinta-feira , 26 de Setembro DE 2013

Sonho

 

 

PC - 22.jul.2013

publicado por Paulo César às 16:39
Quinta-feira , 09 de Junho DE 2011

LANÇAMENTO DO LIVRO "NO CHÃO D'ÁGUA - Poesia Líquida..."

 

 

 

Está em marcha e vai acontecer...

 

NO DIA 2 DE JULHO DE 2011, PELAS 16H00, NO ANFITEATRO DO CAMPO GRANDE 56, EM LISBOA!

 

Será o lançamento do meu livro de poesia "No Chão d'Água - Poesia Líquida..."!

O meu primeiro livro!

 

Desde já, a todos, deixo o convite para estarem presentes! Serão bem vindos!

 

O convite oficial irá sair em breve e logo será publicado!

 

Estou a ficar em pulgas...

 

PC

publicado por Paulo César às 01:40
Segunda-feira , 06 de Dezembro DE 2010

Que nome te darei, saudade?

Urze da serra (imagem obtida na net)

 

Deste longe vejo o que antes não via,

Estando perto…

 

Há cheiros no ar que só agora

Sinto

Vozes grinalda que vingaram os silêncios

Para acordar as auroras de todos os dias

Recados penitentes a trilhar caminhos

Que libertavam do purgatório

Eremitas luzeiros como archotes crentes

Que sinalizavam os sentimentos

Separando o trigo do joio

 

Soluços de aragem que sacudiam as copas

Esguias arremetendo ao azul

Líquidos húmus escorrendo das crostas

Como sangue de regras

Sibilinos sons de amálgama ou caldo

Que se fundem em oratórias de graças

Medo e superstições, unguentos e preces,

Fé viril e força angelical

Faces vítreas onde se espelham as almas

Que trazem gente em cada despojo

 

Trago carreiros suspensos na solidão

Das memórias

E retratos de fogo talhados na urgência

Do retorno ao chão

Para sentir-me quinhão!

 

Que nome te darei, saudade?

 

 

Em 05.dez.2010

M A C

publicado por Paulo César às 16:28
Quinta-feira , 08 de Julho DE 2010

Estórias e memórias

 

Busco para além dos passos

Lentos

A frescura das hortas

Quando as regadeiras eram levadas

De água em cacho

A correr entre cômoros de terra

Adubada pelo suor

Dos corpos fartos de labuta

E no cimo das nogueiras altas

Os melros vinham esperar o momento

De dessedentar os bicos negros

E as penas lustrosas.

 

Busco para além das memórias

Intermitentes

O martelar sibilino do travão

Das noras

Quando o engenho de alcatruzes

Trazia do fundo do poço

A água fresca escorreita

Que lançava no lastro do tanque

Fundo dos banhos estivais

Enquanto o jumento de olhos vendados

Se esforçava na tarefa de curar

A sede dos couvais viçosos.

 

Busco o rumor da fadiga

No aluvião das cantigas morenas

Ao cair das tardes

Quando os carreiros eram estradas

Largas de alvoroços

E os namorados se davam as mãos

Em silêncio

Para dizer calados do amor

E das canseiras

Com olhos mais fundos que o longe

E lábios mais secos que a espera

Dum beijo roubado de fugida.

 

Desato o nó da solidão que é

Saudade e martírio

E penduro no cocuruto das estrelas

Ao rés da lua cheia

Os vaga-lumes mentirosos

Que prometiam um tostão

Quando faltava o pão

E traziam luz às noites de calma

Quando as soleiras das portas eram o palco inteiro

De estórias com enredos mágicos

Onde os homens eram gente boa

E as mulheres mães e avós muito belas!

 

Se uma lágrima vier

Há-de bater primeiro

Que assim são as lágrimas educadas!

Lágrimas de quem olha e sente

Que as amoras colhidas nos silvados

Já não têm o sabor de então;

Os silvados venceram o medo

E galgaram por cima dos carreiros velhos!

Como as hortas se entregaram aos canaviais

Das margens dos ribeiros sazonais,

Talvez enamoradas pela frescura da sombra…

E os melros já não esperam o tempo

De molhar o bico…

 

Nas planícies e nos planaltos,

Nos recantos e nas largas quintas,

Já não se ouvem os burros zurrar

A sede e o cansaço da nora velha!

A nora morreu na podridão do abandono

E os burros adormeceram na inércia

Dos extintos

Como animais sem história

Ainda que personagens de estórias nem sempre

Felizes e valorosas.

Os homens e/imigraram para a selva

E as mulheres construíram lares em socalcos

Sobrepostos, com janelas para o nunca.

 

Rezam as crónicas de pouco entendimento

Que o campo tem outras virtudes

E outras aptidões…

De facto… Quando no lugar do trigo nasce o cardo

E no lugar da horta cresce o silvado,

Que colheita obteremos do nosso desapego,

Que não seja a negação do chão

Donde nos vem a vida?

 

E se negamos a vida

Que fazemos vivos

Neste viver enfadonho?

 

 

Em 08.Jul.2010, pelas 15h45

publicado por Paulo César às 16:38
Sexta-feira , 16 de Abril DE 2010

terra, mãe, matriz

 

já não sei os carreiros

os silvados

as hortas

 

perdi os ninhos dos pássaros

os bandos voláteis

os trinados

 

esqueci a canícula

o frio gélido

a chuva agreste

 

olvidei os cantares genuinos

o labor dos braços

a crueza da faina

 

só não deixei de te amar

terra

mãe

matriz

 

e apetece-me tanto

sentir o cheiro a feno

que sobra

quando as trovoadas

de agosto ribombam

ferindo o espaço

e os feixes felinos

dos relâmpagos faiscantes

desenham no céu pardo

aguarelas abstractas

que amedrontam

e espantam

 


Em Abr.2010, pelas 22h15

 

Imagem: Google

sinto-me: feliz e grato
publicado por Paulo César às 22:14
Segunda-feira , 02 de Novembro DE 2009

Memórias da urze e muito mais

 

Lembrei-me da urze

porque me lembrei da serra

dos montes e vales

do ar puro e das pedras rudes

dos coelhos bravos e das borboletas

dos carreiros estreitos e do mato denso

de pequenas fontes de fios cristalinos

e de poças eternas guardiãs da chuva

que dessedentava as gargantas secas

no pico do verão.

 

Lembrei-me da urze

porque me acudiu a memória

dos pinheirais zoando

à passagem do vento norte

da caruma seca e das pinhas

esventradas

do odor intenso a resina

e dos cogumelos alapados

irrompendo do humus

da terra areenta.

 

Lembrei-me da urze

porque me invadiu o ribeiro

as rãs coachando

as lagartixas fura vidas

as cobras e os lagartos langorosos

as formigas rabinas

na lufa-lufa duma azáfama

sem horário nem escala

as libélulas elegantes

numa dança imortal de tão leve.

 

Lembrei-me da urze

e por ela acabei por me alcandorar

aos cumes do tempo descalço

dos risos desdentados

dos calções passajados e puidos

das mãos e dos corpos tisnados

dos sons naturais da terra e da gente

dos dias prenhes de esforço

e das noites silenciosas de descanso

autêntico.

 

Lembrei-me da urze...

e de tudo o que puxado o fio

se desata sem nós cegos

num mundo de doce e amargo

de luz e sombras

de risos e lágrimas

de ficar quedo e nunca parar

de amar

com despudor e orgulho

o que se ama apenas porque sim.

 

 

Em 02.Nov.2009, pelas 19h30

 

Imagem: Google

sinto-me: chanceler
publicado por Paulo César às 20:00
Terça-feira , 20 de Outubro DE 2009

Claro sol e tanta aurora...

 

Escondo-me nas palavras como se amassase pão,

como se colhesse flores,

como se plantasse espantalhos

na cercadura da seara,

como se esperasse um dia novo

amanhã!

 

Doiem-me os teus olhos que não tenho,

as tuas mãos que foram embora,

o teu sorriso como construção do sonho,

o teu afago, ternurento, como arco-íris

dos sentimentos indefinidos!

 

À míngua de ti

invento até a dor,

a saudade,

a angústia,

cedendo à pressa de te ter de novo

para regenerar as horas

e semear os dias

de cores simplesmente

vivas.

 

O mar das remotas imagens

balança numa maré alta

por dentro de mim.

E a praia tem estranhas nuances

quando a tua ausência

se faz presente.

 

Esqueço-me do que me rodeia!

Vivo a dor como se fora verdadeira

e aplaco-a somente quando

na hora do sono

adormeço ao som da tua voz

que me fala suave e macia

na textura da almofada.

 

Adormeço feliz

e espanto a dor

como se fora miragem,

para viver apenas aquele momento

nosso

- que tu estás mesmo não estando!

 

E assim liberto enxergo longe

o que está por dentro de mim:

- Um claro sol e tanta aurora...

 

 

by Paulo César, em 20.Out.2009, pelas 20h00

 

 

sinto-me:
publicado por Paulo César às 20:12
Sexta-feira , 02 de Outubro DE 2009

Poema para a Terra calada

 

Estendo os braços

e o mar à minha frente

tem cambiantes de loiro

e verde e castanho,

ondeando na planície

de malmequeres e papoilas,

onde as borboletas voejam

tontas

e o passaredo volteia

desenhando, no céu largo,

caminhos sem retorno.

 

Sobem odores do fundo

da terra

e descem à terra madre

sementes de futuro,

impregnados de vida,

que o sol chamará à luz,

depois que a noite adormecer

nos braços do orvalho

matinal.

 

Tanta vida silenciosa

assombra o meu olhar absorto!

Sorvo dum trago o horizonte

e de braços caídos

enlaço a vastidão de lés a lés,

embrenhando-me até aos ossos

na imensidão!

 

Um grilo canta,

uma rã coacha,

um pardal trina,

um galo cacareja,

uma ovelha bale,

um burro zurra,

um gato mia,

um cão ladra

e a terra pacata,

vivaz no seu sossego

manso,
escuta a algazarra

e redonda,

absoluta,
magestosa,

gera no seu seio de mulher

possuida

a vida que nos alimentará

até à comoção,

como se o poema

fosse o ponto de partida

para a aventura

da gratidão!

 

E se palavras forem precisas para dizer

obrigado

inventemos outra forma de o afirmar

para que cada sílaba seja

um hino, uma ode, um labéu

que cante a eterna canção dos filhos

da senhora sua mãe:


A Terra calada!

 


by Paulo César, em 22.Set.2009, pelas 22h30

 

sinto-me: inquieto
publicado por Paulo César às 18:35

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