terra, mãe, matriz

 

já não sei os carreiros

os silvados

as hortas

 

perdi os ninhos dos pássaros

os bandos voláteis

os trinados

 

esqueci a canícula

o frio gélido

a chuva agreste

 

olvidei os cantares genuinos

o labor dos braços

a crueza da faina

 

só não deixei de te amar

terra

mãe

matriz

 

e apetece-me tanto

sentir o cheiro a feno

que sobra

quando as trovoadas

de agosto ribombam

ferindo o espaço

e os feixes felinos

dos relâmpagos faiscantes

desenham no céu pardo

aguarelas abstractas

que amedrontam

e espantam

 


Em Abr.2010, pelas 22h15

 

Imagem: Google

sinto-me: feliz e grato
publicado por Paulo César às 22:14